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5 DE JUNHO – DIA MUNDIAL DO AMBIENTE
Por Conceição Páscoa (Professora), em 2020/06/0361 leram | 0 comentários | 12 gostam
O Dia Mundial do Ambiente foi criado em 1972 no decurso da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo.
Porém, a consciencialização dos problemas ambientais têm ao longo deste quase meio século sofrido vários recuos e ténues avanços, por parte dos poderes estabelecidos. De tal forma, que as vozes dos mais jovens têm sido forçadas a emergir …
Ora, é o caso dos “pirralhos” como Greta Thunberg, - assim lhe chamou Donald Trump –, bem como vários grupos ecologistas, que têm gritado o rei vai nu, chamando a atenção para a necessidade de agir urgentemente.

Efetivamente, Greta Thunberg, a jovem sueca do movimento que pretende levar o seu país a cumprir o Acordo Climático de Paris, assinado em 2015, que visa limitar o aquecimento global do planeta, é um desses rostos jovens de vanguarda.
Deste modo, Greta fez greve todas as sextas-feiras, numa luta que começou sozinha perto do Parlamento Sueco, mas que mais tarde sensibilizaria o mundo, levando-a a ser convidada para falar na conferência da ONU sobre as alterações climáticas e a mobilizar os jovens do mundo inteiro.
“Vocês estão a roubar o meu futuro” é a acusação da jovem Greta aos poderes instituídos, quando no Fórum Económico Mundial de Davos, perante os empresário e políticos presentes, declarou, sem papas na língua, que “é preciso mudar quase tudo nas sociedades atuais”.
Greta padece da síndrome de Asperger, uma perturbação obsessiva-compulsiva e um mutismo seletivo. No entanto, não deixa de deitar a boca no trombone quando é necessário denunciar a hipocrisia mundial:
“Porque vou eu estudar, para um futuro que em breve vai deixar de existir, se ninguém fizer nada para o salvar? –questionaria Greta durante a sua palestra no TED (Tecnology Entertainment Design),série de conferências sobre “ideias que merecem ser disseminadas”.
Porém, Greta já não está só e um pouco por todo o mundo as adesões à sua postura multiplicam-se, como ficou patente nas manifestações em várias cidades europeias e portuguesas, em 24 de maio do ano passado, entre as quais Guimarães.
 Luta que ela própria prosseguiria, ao participar na Conferência da Nações Unidas sobre Clima, que decorreria em 23 de setembro, e que marcaria o início de uma “tournée” pelos Estados Unidos e Canadá em prol do ambiente, bem como através da escrita do seu livro “A Nossa Casa Está a Arder”, redigido em parceria com a irmã e os pais, que conta um pouco desse combate pela saúde do nosso planeta.
Livros a que podemos ajuntar, entre muitos outros, “Planeta Terra em Perigo” de Elisabeth Kollbert, “Caiu o céu” de Mckenzie Funk, “Copenhague antes e depois” de Sérgio Abranches, ou “A política de mudança energética” de Anthony Giddens. Mas também, num registo infanto-juvenil, “Valéria e a vida” de Sidónio Muralha” e a sua coletânea de poemas “Voa, pássaro, voa”, assim como “Beatriz e o plátano” de Ilse Losa, obras inseridas no Plano Nacional de Leitura., aos quais se podem ajuntar os livros da coleção “Terra Verde”, publicados pela Verbo.

Estamos pois perante uma tarefa urgente. Tanto mais, quando os relatórios científicos dizem que o mundo tem menos de 11 anos para que as mudanças se tornem irreversíveis …


Guimarães, por seu turno parece também querer enveredar por caminhos mais ecológicos e sustentáveis. Com efeito, apesar da candidatura falhada de Guimarães a Capital Verde Europeia de 2020 (que seria atribuída a Lisboa),mantém-se a chama de prosseguir este objetivo e dar passos em frente nesse sentido, certamente com menos medidas avulsas e mais articulação e eficácia, devidamente complementada com outras ações no terreno.
De facto, pode-se arvorar como positivas a construção da Academia de Ginástica (um edifício próximo do carbono zero), ou as bacias de retenção das Hortas na prevenção das cheias, assim a melhoria do sistema de recolha de resíduos e o excelente trabalho do Centro de Valorização de Resíduos; ou ainda medidas pontuais com os papa-chicletes ou os copos recicláveis, bem como outras mais estruturais como a Estação de Tratamento de Água de Prazins ou Estação de Tratamento de Água de Serzedelo, ou até a abertura da ecovia. Porém, a mobilidade continua a ser um problema concreto e de fundo de Guimarães, de tal forma que a cidade foi classificada como terceira do país com mais automóveis a circular e o rio Ave surpreende-nos ocasionalmente com a uma esquisita cor de café com leite, que uns dizem que vem das “cafetarias” da Póvoa de Lanhoso e outros afirmam serem produtos das pedreiras da freguesia vimaranenses de Gondomar. Além disso, a qualidade do ambiente acústico deixa também muito a desejar em certas áreas citadinas, em particular no Centro Histórico e zona universitária.
Além disso, regista-se também como positiva a ação de educação para o ambiente liderada pelas escolas e município, em parceria com o Laboratório da Paisagem e a Associação Vimaranense Ecológica (AVE). Cite-se, entre outros, o programa Pegadas e as atividades lúdico-ecológicas de cariz ambiental, nomeadamente as ações levadas a cabo nas freguesias pelas Brigadas Verdes, o projeto Eco-Parlamento, as atividades âncora integradas no Eco-Escolas, ou o “Projeto Guimarães Mais Floresta”.
Ademais, acrescente-se positivamente a candidatura a Paisagem Protegida Local da Penha, lançada em 2017, que integra harmoniosamente o ser humano e a natureza e uma intricada relação entre património geológico e geomorfológico com as lendas.

No entanto, Guimarães tem ainda muito a trilhar para preencher os 12 indicadores de avaliação que permitem ascender a Capital Verde Europeia. Basta recordar que Estocolmo (2010) recebeu este galardão por todos os autocarros e comboios transitarem com combustíveis renováveis, Hamburgo (2011) impressionou o júri com as suas reduções nas emissões de carbono, Vitória (2012) destacou-se pelo seu projeto Green Belt e Liubliana (2016),venceu porque praticamente não tem carros a circular na cidade …
De facto, quer estas cidades quer Nantes (2013), Copenhague (2014), Bristol (2015) e ainda Essen (2017), Nijmegen (2018) e Oslo (2019), só venceram os desafios do desenvolvimento sustentável com muita perseverança e ações integradas e concretas.

E tu, que andas a fazer pelo ambiente?

Texto de Álvaro Nunes


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