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8 DE JUNHO – DIA MUNDIAL DOS OCEANOS
Por Conceição Páscoa (Professora), em 2020/06/0362 leram | 0 comentários | 13 gostam
Com origem na Conferência da ONU sobre Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992 e posteriormente proclamado em 2008 como o Dia Mundial dos Oceanos, esta efeméride celebra-se mundialmente a 8 de Junho.
De facto, tendo por objetivos vincar a importância dos oceanos no clima e como elemento essencial da biosfera, esta data comemorativa subordina-se este ano ao tema “Género e o Oceano”, com a intenção de descobrir formas possíveis de promover a igualdade de género em atividades relacionadas com o oceano.

Efetivamente os mares e os oceanos fazem parte da nossa vida coletiva
Realmente, eles cobrem cerca de três quartos da superfície da Terra e representam 99% do espaço vital do planeta em volume, dos quais segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 3 biliões de pessoas dependem, quer pela sua biodiversidade marinha e costeira, quer como fonte de sobrevivência, que se estima em cerca de 200 milhões de pessoas direta e/ou indiretamente dependentes. Basta recordar que, as cerca de 200 mil espécies marinhas identificadas constituem a maior fonte de proteína do mundo , reserva que importa preservar, não só da sobre exploração piscatória como também da destruição dos habitats costeiros.
 Ademais, os oceanos são responsáveis pela absorção de cerca de 30% de dióxido de carbono produzido pelos seres humanos, amortecendo os impactos do aquecimento global.

Porém, atualmente, as atividades humanas afetam cerca de 40% dos oceanos e 13 milhões de toneladas de plástico cobrem as suas águas, permanecendo inalteráveis por décadas e séculos, ou erodindo-se em micro-plásticos que acabam por ser consumidos por peixes e outros animais marinhos, entrando perigosamente nas cadeias alimentares.
Deste modo, o português António Guterres, secretário-geral da ONU, tem sido um dos arautos desta luta em prol dos oceanos. Com efeito, na sua mensagem do ano anterior, Guterres chamaria a atenção mundial para a preservação sustentável dos oceanos, pois, como afirmou, “abrigam uma vasta biodiversidade e são uma defesa vital contra a emergência climática global”.
Contudo, alertaria que “os oceanos estão sob uma ameaça sem precedentes”, uma vez que, “nos últimos 50 anos cerca de metade dos corais vivos foram perdidos nas últimas quatro décadas e a poluição dos plásticos aumentou 10 vezes”.
Neste sentido, incentivaria os países a seguirem o “Apelo à Ação” adotado em 2017 na Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, enquanto se aguardava pelo próximo encontro de Lisboa, marcado para este ano de 2020.

Ora, Portugal tem de facto estado na linha da frente neste combate em favor dos oceanos. Basta lembrar que Portugal tem 2830 quilómetros de costa, incluindo Açores e Madeira, e um mar territorial e uma zona económica exclusiva extensa, presidindo atualmente ao grupo dos amigos dos oceanos, conjuntamente com as Ilhas Fiji. Além disso, tem historicamente nos mares e oceanos, muita da sua desgraça e glória.
Quiçá por isso, em 1998, Portugal acolheu em Lisboa a última exposição mundial do século XX, entre 22 de Maio e 30 de Setembro, cujo tema seria exatamente “Os oceanos, um património do futuro”.
Uma exposição, conhecida por “Expo-98”, que assinalaria o quinto centenário da descoberta do caminho marítimo para a Índia, por Vasco da Gama, e que envolveria 150 países
Efetivamente, nessa altura, seria não só possível reabilitar toda essa zona degradada junto ao Tejo, como também construir a (nova) ponte Vasco da Gama e a Estação do Oriente, enquanto obras em prol da comunicação.
De facto, enquanto símbolo da comunicação entre os povos e de interdependência destes com o meio natural, os oceanos são um insofismável património físico e natural mundial, e um meio de união entre os novos e os velhos mundos, como o reconheceria Fernando Pessoa no poema “Infante”, da obra “Mensagem”:

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda una,
Que o mar unisse, já não separasse”
(…)

Com efeito, na “Expo-98”, Portugal voltaria a assumir-se como um país grande, apesar de tão pequeno, capaz de mostrar ao mundo a relevância do conhecimento dos oceanos e dos seus recursos, bem com a sua pertinência no equilíbrio do planeta e na assunção da sua importância como fonte de inspiração e lazer.
Uma exposição mundial que ainda hoje é visível no Pavilhão dos Oceanos (Oceanário), cuja coabitação de diferentes sistemas ecológicos marinhos nos fascina e que teve também no Pavilhão do Conhecimento dos Mares e no Pavilhão da Realidade Virtual as expressões da relação do homem com o oceano e do mundo fantástico e subaquático habitado, há muitos milhares de anos.
Expressões didáticas que o Pavilhão da Utopia (hoje área de grandes espetáculos) recriaria na altura como um espaço de imaginação e de fantasia, mostrando não só a formação dos oceanos, como também as grandes conquistas até à mítica Atlântida. Porém, hoje, mais do que nunca, deveria estar presente entre nós a mensagem do Pavilhão do Futuro, agora já passado, que nos alertava para o nosso comportamento pessoal e papel ativo na conservação deste património natural, da nossa responsabilidade comum.

Convidamos-te deste modo a visualizar imagens e mensagens dessa”Expo-98”, que os teus familiares provavelmente ainda se recordam e te podem contar, e/ou a (re)ler a edição da coleção “98 Mares”, que compreendem a leitura de 98 livros de autores de vários lugares e épocas, disponíveis online na Biblioteca Digital Camões.
Esperamos que navegues nestes mares e oceanos de ondas e ventos suaves, cheios de brisas refrescantes e sabores a maresia.
Entretanto, para aguçar o apetite e a sede literária, deixamos-te o poema “Mar Português” de Fernando Pessoa, integrado na obra “Mensagem”:



“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mais choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quanta noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espalhou o céu.


Texto de Álvaro Nunes


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