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A TRADIÇÃO DO RAMO DE MUGUET
Por Conceição Páscoa (Professora), em 2020/05/011713 leram | 0 comentários | 134 gostam
No primeiro dia de maio, em França, a par da festa do trabalho, existe a tradição de oferecer um ramo de muguet às pessoas de quem se gosta para lhes desejar boa sorte e felicidade.
Ao longo da história da humanidade, esta flor, tão singela, foi oferecida por Carlos IX às damas da sua corte, tornou-se o talismã do cantor Félix Mayol e o emblema do costureiro Christian Dior, serviu de bouquet de casamento à princesa Grace Kelly e inspirou joalheiros como René Lalique.

Convallaria majalis, conhecida pelo nome comum de lírio-do-vale, é uma espécie nativa da Europa da família das convalariáceas. Tais lírios chegam a medir até 30 cm. Também são conhecidos pelos nomes populares de campainhas, círio-de-nossa-senhora, convalária, flor-de-maio, lírio-convale, mugué, muguet, muguete e muguete-do-vale. Embora venenosa, é cultivada como flor ornamental pelas suas campainhas brancas e perfumadas que surgem no mês de maio.
De acordo com a linguagem das flores, o Muguet significa “o retorno da felicidade”.

A tradição de um tempo muito distante
Na Roma antiga, as comemorações em homenagem a Flora, a deusa das flores, tinham o seu apogeu no 1.º de maio.
Também os celtas celebravam o início do verão no mesmo dia. Eles dançavam em volta de uma árvore para espantar os maus espíritos e acreditavam que o muguet trazia sorte.

Simbologia cristã
Segundo uma lenda cristã, foram as lágrimas de Nossa Senhora que se transformaram nesta flor enquanto chorava aos pés da cruz a morte de Jesus. Esta flor tem também o nome de "lágrimas de Maria", porque, onde as Suas lágrimas caíram, terá crescido o muguet.

Flor para as damas da corte
Em 1560, o rei Charles IX, em visita à Drôme com a sua mãe, Catarina de Médicis, recebeu um ramo de muguet do cavaleiro Louis de Girard de Maisonforte, colhido no seu jardim em Saint-Paul-Trois-Châteaux. O rei, então, decidiu presentear as damas da corte com essa flor, todos os anos a partir do dia 1 de maio de 1561 . Foi aí que o costume nasceu em França.

Amuleto de artistas
No dia 1 de maio de 1895, quando o cantor francês Félix Mayol chegava a Paris, a sua amiga Jenny Cook presenteou-o com um bouquet de muguets. Ele colocou a flor na sua lapela no primeiro espetáculo de uma série que foi um sucesso. Mayol transformou, então, o muguet no seu emblema. Muito popular na época, o cantor relançou desta forma a tradição de oferecer raminhos de muguet.

Símbolo do dia do trabalho
A flor foi associada ao Dia do Trabalho sob o governo de Vichy. No dia 24 de abril de 1941, o marechal Pétain oficializou o 1.° de maio como a "Festa do Trabalho e da Conciliação Social". A rosa vermelha, símbolo do Dia do Trabalho desde 1891, foi então substituída pelo muguet.

Emblema de Christian Dior
Mais do que um talismã, o muguet era a flor fétiche de Christian Dior à qual dedicou mesmo uma linha da sua coleção de primavera-verão em 1954. O costureiro costumava oferecer todos os anos pelo primeiro de maio um raminho de muguet às operárias do seu atelier e às suas clientes.

A flor do bouquet de casamento de celebridades
Esta flor, tão pequena e perfeita, foi escolhida para os magníficos bouquets de casamento de princesas, como Grace Kelly, na vida real, de atrizes de cinema, como Audrey Hepburn, no ecrã, e de modelos como Claudia Schiffer, entre outras.
  
Um elemento floral inspirador
Pela sua delicadeza e graciosidade foi ainda fonte de inspiração para obras dos mais célebres joalheiros, como René Lalique e Carl Fabergé, que criaram peças admiravelmente belas.

Mas, neste 1.º de maio de 2020 e perante o confinamento que em França também se vive, as floristas de Paris não puderam vender os raminhos de muguet sequer na rua, à porta das suas lojas. Restou-lhes, ironicamente, o desejo do "retorno da felicidade".

Por Conceição Páscoa (professora de francês)


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