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CURIOSIDADES NICOLINAS
Por António Loureiro (Professor), em 2016/10/281818 leram | 0 comentários | 156 gostam
São imensas as curiosidades e tradições nicolinas, cheias de rituais e simbolismos. Destacaremos nestas páginas as mais emblemáticas.
ARTESANATO NICOLINO
As Festas Nicolinas estão intrinsecamente ligadas ao artesanato. Com efeito, quer as caixas e bombos nicolinos, quer as lanças usadas no número das Maçãzinhas, constituem-se como uma tradição dentro da tradição.

As caixas e bombos têm como artesão principal José Manuel Alves, ex-aluno da EB 2,3 de Urgezes, que herdou de seu pai a arte e a oficina de trabalho, situada em Polvoreira. Aqui tudo é feito artesanalmente, estando o segredo do toque afinado e do bom timbre no processo de produção, em particular nos materiais utilizados e na sua preparação: o tipo de corda, a madeira para os arcos e baquetas, a chapa; e em especial as peles, criteriosamente escolhidas e tratadas em cura natural, segundo métodos tradicionais, que demoram entre uma ou duas semanas em tratamento. Um trabalho bem antigo, que remonta aos primórdios da nacionalidade e aos tempos ancestrais das indústrias de curtumes vimaranenses.

As lanças, por sua vez, tinham como principais artesãos os membros da família Lobo, com a sua oficina de pichelaria e funilaria na Rua de Donães. Aqui as lanças eram feitas manualmente, em chapa de latão, moldadas e soldadas manualmente, em estilos variados, embora a lança mais comum tenha como principais motivos a caixa e o bombo, acompanhados por um pergaminho, para anotação do ano das festas.

ESPÍRITO NICOLINO

Ser Nicolino implica estar preparado para a festa da amizade e confraternização entre gerações, sem os excessos que a estraguem. Outrossim, ser Nicolino é a sentir a saudade pelas coisas boas, ser solidário e gostar de aprender e saber mais, sob a inspiração de Minerva (deusa da sabedoria), que anualmente abre o cortejo do Pinheiro.
Ser Nicolino é também reconhecer e lutar por valores como a liberdade, a honestidade e o mérito, aprender a respeitar os outros e crescer saudavelmente.
É estar inspirado por S. Nicolau, em paixão e brejeirice, galanteando as mulheres como musas inspiradoras da existência.
 
GASTRONOMIA NICOLINA

Comer e beber bem, ainda que de forma comedida, sempre foi uma imagem de marca das festas e muitas são as referências no imaginário nicolino a muitos poisos e “tascas”: a Tasca do Miranda com o seu famoso “pito de mergulho”, o caldo de unto do Calondro após as novenas, ou a loja da Senhora Aninhas, como seus boletes e rabanadas.

Atualmente é famosa a Ceia Nicolina, na noite do Pinheiro, que tradicionalmente tem à mesa rojões com papas de sarrabulho e castanhas; e, em alguns casos, arroz de bacalhau ou de penosas, isto é, frango pica-no-chão, com sobremesa de leite creme e figos, acompanhados de tinto carrascão.


Por sua vez, as Moinas de S. Nicolau, merendas oferecidas pelas vendas ou casa de Velhos Nicolinos aos jovens tocadores de caixas e bombos que em “Ensinanças” ensaiavam as “ranas e “pranas” até 28 de novembro, eram geralmente constituídas por figos de seira, maçãs, nozes, castanhas e broa e também bacalhau demolhado com cebola, ou simplesmente cebola com sal e tremoços, acompanhados por uma malga de tinto, embora nas casas mais abonadas se acrescentasse por vezes a bola de carne.

MONUMENTO NICOLINO

O Monumento Nicolino, inaugurado em 25 de janeiro de 2008, da autoria do escultor vimaranense José de Guimarães, encontra-se implantado no Largo de S. Gualter, junto à Igreja dos Santos Passos, local onde se ergue o Pinheiro.
Remonta contudo a 28 de janeiro de 1993 a sugestão da sua construção, perpassando vários anos desde a sua idealização à concretização, devido a polémicas suscitadas pela sua escala e volumetria, bem superiores à atual.

Mas apesar das controvérsias, hoje o monumento lá está, representando o esvoaçar da capa do traje académico.

SÍMBOLOS NICOLINOS

Entre os símbolos nicolinos, realçam-se a bandeira da Academia e o Hino Nicolino.

A bandeira da Academia apresenta um fundo verde escuro, com um mocho no centro, símbolo da sabedoria, que pousa sobre um livro encadernado a azul, representando o conhecimento. Por trás, sobressai a esfera armilar, símbolo dos novos mundos dados ao mundo pelos navegadores portugueses; e no último plano uma folha de palma, símbolo romano da vitória e exaltação dos grandes feitos.
 
 Por sua vez, o Hino Nicolino, datado de 1852, com letra de Sousa Benevides, é provavelmente o elemento simbólico mais badalado e sugestivo dos valores nicolinos:

Ó Nobre Pátria de Afonso
Ó berço da Monarquia,
Exulta, formosa terra,
Já raiou o teu fausto dia

(Refrão)
Folgar rapazes
Folgar, Folgar!
Que só para o ano
Torna a voltar.

Nobre filho de Minerva
Quem te pode hoje igualar?
És livre! Hoje só tu
Podes Nicolau saudar.

Mas sem vós, formosas damas
Que valem festas, folias?
Vinde pois, com terno olhar,
Verter tudo em alegrias.

TRAJES NICOLINOS

Guimarães é um dos poucos locais em que se mantém o uso da capa e batina pelos estudantes pré-universitários.

Contudo, o traje académico vimaranense é distinto dos demais. Com efeito, ainda que de cor preta, é constituído por uma batina de linhas direitas com bandas em cetim nas abas e pregas posteriores, acompanhada de colete liso e sem abas. As calças são de corte e algibeiras direitas
e os sapatos pretos Por sua vez, a capa é usada dobrada sobre o ombro esquerdo ou traçada.
  
O traje de trabalho, por sua vez, é constituído por calças pretas, camisa branca e lenço tabaqueiro quadrado e vermelho, acrescido de mitra nicolina, um gorro ou barrete vermelho com friso verde na base.

TOQUES NICOLINOS
As Nicolinas são anunciadas com caixas e bombos, distinguindo-se 4 toques fundamentais:

- o toque das Moinas ou dos Novos, à base de “pranas” da caixa e repiques retidos;
- o toque do Pinheiro ou dos Velhos, com a caixa a tocar “ratas” e “pranas”, com repiques retidos;
- o toque do Pregão, mais curto, fogoso e viril que acompanha em duas alas o cortejo do pregoeiro;
- o toque de Ofício, Cerimónia ou Novena, para cerimónias rituais, quer em cemitérios e procissões quer em missas e novenas.

Escrito por Álvaro Nunes.



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