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NICOLINAS 2018
Por Carla Manuela Mendes (Professora), em 2018/12/0554 leram | 0 comentários | 7 gostam
A partir de 29 de novembro e durante a primeira semana de dezembro regressam as Festas Nicolinas, intrinsecamente ligadas à freguesia de Urgezes e que em tempos recentes tiveram devida abordagem local, que infelizmente se tem perdido.
Evocar esses tempos de ligação escola-meio e de pedagogia de projeto, bem como o espírito lúdico e criativo que lhe estava subjacente e simultaneamente assumir uma postura crítica, bem vicentina, às coisas como hoje são, é o objetivo deste Pregãozinho, à laia nicolina:

Que Baco me dê força inebriante,
Sem excessos, nem furores intestinos,
Que Minerva me dê saber relevante
Para estes versinhos, bem Nicolinos!
Pregão da cidade e da sua festa
Voz da crítica da razão e coração,
Que às vezes é tudo o que resta
Da lei da rolha da comunicação.

Pois tu, nobre cidade, berço da nação.
Recupera as conquistas de Afonso,
O pelote e armas de del-Rei D. João!
E ergue novas forças de responso.
 E como boa mãe, boa madrasta,
Urbe de duas caras de bravura,
Acolhe teus filhos e a gente casta
Constrói no passado, vida futura.

Quer seja verde tua ecovia
Quer seja de elétrico ou skate
Ao caótico trânsito, dai transvia
Que o estacionamento se empreite.
 Mais trabalho e mais empresas
Menos ruído e mais tranquilidade
São as grandezas e riquezas
Que queremos na nossa cidade!

E transportes públicos bem pontuais,
Que por vezes ficam pelo caminho!
É nas pequenas coisas, mais triviais,
Que urge ter atenção e cuidadinho! …
Porque só a assobiar para o lado,
Ou a aparecer (bem) na fotografia
Será prato mastigado e requentado
Que não passa de triste cenografia!




Em vez de obras que dão nas vistas
Queremos obras de alcances largos
Estamos fartos de alguns artistas
Que só trabalham pr’os cargos!
Queremos a Circular Sul no terreno
Pelo Cavalinho as ligações novas
Pois ninguém circula rápido e sereno
Entre as duas avenidas, rumo a Covas!

E em vez dos festas popularuchos
De pão e circo ou francesinhas
Que tal, ainda que sem luxos.
Umas coisas mais crescidinhas?
Com criatividade, cultura e arte
Como o nome bem recomenda
Se não a Vaca Negra destarte
Acaba como aquela da lenda!

E o nosso querido Vitória
Que tropeçou na Taça da Liga
 Que a Liga dê asas de glória
Para que na Europa prossiga!
Pois quer o Júlio quer o Castro
Querem uma época sem igual,
Que a bandeira suba ao mastro,
 Noutra conquista de Portugal!
 
Lá fora, entre Brexit e a Trampania
Com refugiados e muros em promessa
Falta cidadania, sobra vil soberania,
Que urge reverter bem depressa!
Entre Kins Jong- un ou Maduro
Senhor diabo escolha, sem favores,
Talvez Putin ache por mais seguro
Eleger como amigos outros ditadores!
 
E vós, queridos mestres e professores,
Educadores e marrões do picanço,
Dai-nos a graça de vossos favores,
Na sabedoria da cábula e copianço!
Que Minerva, deusa de vasto saber,
E S. Nicolau, nosso bom patrono,
Nos ajudem a comer e a beber
Vosso ensino tão sensaborono!




Bem, sabeis que no nosso ensino
Se as metas não são nossa praia
Também não serão nosso hino
As competências, ou ser cobaia!
Estamos fartos desta dança
Do vira o disco e toca o mesmo
Que a geringonça ou a Aliança
Nos ofertam sempre a esmo!

Juntai pois a vossa nobre ação
Do descongelamento da carreira
Ao congelamento da avaliação
Que nos stressa a vida inteira!
E deixai-nos brincar ou namorar
Jogar, conviver, não fazer nada,
Pois esta malta quer-se doutorar
Como doutores desta fornada.

Mais divertimento e convívio ,
Mais resumos, menos leituras
E para relaxamento e alívio
Mais desporto e aventuras.
De estudo só mesmo visitas
Sem relatórios, nem trabalhos!
E visitas radicais e interditas,
Sem grisalhos, nem paspalhos!
 
Pois pr’a escola de regresso
Com greves que ameaçam
Aos professores só peço
Feriados que me satisfaçam!
E saiba o ministro e vocês,
Que queremos mais intervalos
Abaixo os testes e os TPC’s
Pois escrever só faz calos!

Abaixo a ardósia nas escolas
E venham já para Guimarães
Novos consolos e consolas
Novas tabletes Magalhães
E para os nossos professores
Nem calmantes, nem psicóloga
Para aturar nossos desamores
Sugerimos acupunctura ou ioga!





E vós, nossas damas e colegas,
Vos rogamos com fiel encanto
Que aos beijos não deem negas
Nem fitas pinteis de desencanto!
Mas vosso lugar são as varandas
Sinto muito e peço-vos perdão,
Mas só a nossa lança tem andas
Para içar, o fruto proibido d’ Adão

E vós alunos e profes de Urgezes
Que às Nicolinas tendes ligação
 Como deixastes que em Colgeses
Morresse esta secular tradição?
Como permitis qu’ alegria e o sucesso
Em nome do quanto baste e ligeireza,
Se entranhe com vergonhoso retrocesso
Em manifesta “apagada e vil tristeza”?! …

Viva S. Nicolau, patrono dos estudantes,
Vivam as Nicolinas, por toda a eternidade,
Vivam a sabedoria, a amizade, os espumantes,
Viva a tradição, património desta cidade!
Vivam a juventude e as velhas gerações,
Vivam a cultura e nossas gentes laborais,
Vivam as memórias, histórias e as inovações,
Vivam Guimarães e as nicolinas, imortais!

Que enfie o barrete (Nicolino), quem se achar com cabeça (compatível) …

Álvaro Nunes


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