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2018 – ANO EUROPEU DO PATRIMÓNIO CULTURAL
Por António Lourenço (Professor), em 2017/12/11317 leram | 0 comentários | 101 gostam
Por iniciativa da Comissão Europeia, 2018 foi consagrado como o Ano Europeu do Património Cultural (AEPC 2018), tendo em vista a promoção da diversidade e do diálogo intercultural, bem como a preservação da história e valores da identidade europeia.
A herança e a memória viva dos monumentos, sítios, tradições e acervos museológicos e arquivísticos, são assim paralelamente com os conhecimentos, a língua, a ciência e a expressão da criatividade humana, pontos fulcrais para uma abordagem temática da efeméride, a nível europeu, nacional e local, compreendendo este último domínio as freguesias e as comunidades escolares, que sempre que possível deveriam trabalhar conjuntamente e de forma articulada entre si estas e outras matérias.
Com efeito, quer as autarquias quer as escolas não devem ficar alheias a esta jornada de alerta e de ação em prol do património cultural e tão-pouco alienarem esta oportunidade e ensejo de, neste âmbito, programarem atividades concretas, que poderão confinar-se desde as simples visitas de estudo à dinamização de iniciativas de sensibilização para a conservação e a preservação do património cultural.
De facto, um dos objetivos específicos da efeméride visa precisamente sensibilizar para a importância do património cultural europeu através da educação, visando em especial os jovens e as comunidades locais.
Ora, no concelho de Guimarães não faltam panos para mangas. Guimarães é, com efeito, rica no seu acervo museológico e monumental e nas suas tradições, reconhecidamente consagrada pela UNESCO com o galardão de Património Cultural da Humanidade (2001) e Capital Europeia da Cultura (2012).
Talvez por isso e para já, a Direção Regional de Cultura do Norte e o município de Guimarães assinaram uma adenda ao protocolo de cooperação no âmbito de execução do Plano Românico-Atlântico 2015-2018 para a intervenção de conservação e reforço estrutural da Igreja de Santa Cristina de Serzedelo, monumento românico dos séculos XII/XIII, acordo que obviamente augura bons prenúncios. Bons sinais que poderão ainda passar pela reabilitação da Torre da Alfândega e da Casa da Rua Nova, pela criação do percurso pedonal no adarve da Muralha de Guimarães e dos seus centros interpretativos, bem como pelo lançamento do Hereditas, inventário do património cultural e paisagístico de Guimarães, entre muitos outros projetos pendentes, como as candidaturas a património cultural e imaterial da humanidade dos sardões e passarinhas de Santa Luzia e das Nicolinas.

Por outro lado, na área pedagógica do Agrupamento de Escolas Gil Vicente e concretamente nas freguesias de Urgezes, Polvoreira e Nespereira existe também uma considerável riqueza patrimonial a (re)descobrir e explorar.
Urgezes, ou villa de Colgeses que remonta ao ano de 926, gaba-se de ser a pretensa terra de Gil Vicente, das tradições das Festas Nicolinas ligadas à Renda de ou Dízimo de Urgezes e das Gualterianas com ligações à recuperada Fonte de S. Gualter, na Fonte Santa, que terá origens em 1216. Pela freguesia passa também a antiga estrada real em direção ao Porto, mantém-se a recuperada Capela dos Remédios, do século XVI, editaram-se os “Contos e Lendas de Urgezes” e sairá brevemente do prelo o livro infanto-juvenil “Auto de Santo Estevão de Urgezes – Monólogo do Truão”. Mas há também a história pioneira da indústria local, à qual se ligam António da Costa Guimarães e Manuel Pereira Bastos, ambos recordados na toponímia local, a chegada da iluminação pública com Bernardino Jordão, ou a Exposição Industrial de 1884 no Palácio Vila Flor, atual Centro Cultural Vila Flor.

Em Polvoreira destaca-se a Igreja de S. Pedro de Polvoreira, patrono da freguesia, em estilo românico, o seu cruzeiro e a casa senhorial da Quinta do Vale, bem como as festas de João de Covas. Dignos de realce são também o Grupo Folclórico de Polvoreira, que gere o Museu Etnográfico local e ainda a oficina artesanal de fabrico de caixas e bombos, nos Carvalhos, famosos instrumentos musicais que são o suporte sonoro das Festas Nicolinas.
Por seu turno, Nespereira é a terra do “Senhor da Casa do Alto”, assim se intitula o livro infanto-juvenil de Carlos Poças Falcão sobre o ilustre Raul Brandão, publicado este ano a propósito dos 150 anos do nascimento do escritor. Deste modo, para além da Casa do Alto e a Casa de Sezim, solar dedicado ao turismo de habitação e inserida na Rota dos Vinhos Verdes, a freguesia tem apresentado anualmente um meritório trabalho em torno de Raul Brandão e sua obra, entre os quais sobressai a Feira da Época, que recria a ambiência e atmosfera do início do século XX. São ainda de realçar a festa em honra do Senhor dos Aflitos, assim como a prestimosa Associação Carnavalesca de Nespereira, muito ativa na preservação nesta tradição dos folguedos desta quadra.
Entre a três freguesias há ainda, nesse ano de ouro de 1884, a chegada do comboio a Guimarães em 14 de abril, que posteriormente se estenderia a Fafe, em 1907, inúmeras casas senhoriais dignas de visita, bem como dinâmicas associações e coletividades que preservam valores identitários, entre os quais a etnografia e o folclore.
Há assim, como afirmamos panos para mangas para muitas iniciativas e atividades plausíveis, quer este ano letivo quer no próximo, com início previsto em setembro de 2018.
E, julgamos, há ainda tempo para adotar o património cultural como tema fundamental do próximo sarau, no final do ano, facultando-lhe a unidade temática que não tem tido, assim o queira a criatividade e motivação humana …

Texto escrito por
Álvaro Nunes

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